Jaqueline Sanz: o desafio que virou tese

01/11/2017 09h06 - Atualizado em 01/11/2017 10h40
A atual chefe do Departamento de Comunicação e Marketing (DCM) do Incaper, a extensionista da área de Socioeconomia, Celia Jaqueline Sanz Rodriguez, concluiu o doutorado em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
 
Segundo ela, desde o período em que atuava como chefe da área de Ater, observou que a agricultura familiar, público-alvo do Incaper, era diversa. “A minha vivência e as experiências que eu tinha no Instituto me desafiavam. Eu comecei a pensar a atuação da instituição levando em conta a heterogeneidade social das formas familiares de trabalho e produção na agricultura. Os agricultores familiares, sejam eles tradicionais, quilombolas, assentados ou as populações ribeirinhas, por exemplo, em virtude de suas diferenças sociais, culturais e econômicas, têm demandas características. Percebi que no campo existiam agricultores que já têm acesso a algumas tecnologias ou já são inseridos em mercados e programas e outros que buscam o acesso às políticas públicas ou têm outras necessidades mais simples, como um bloco de notas”, disse. 
 
A partir desse cenário, a pesquisa empírica foi realizada nos municípios de Domingos Martins, Santa Teresa e Santa Leopoldina, entre os anos de 2015 e 2016. Ao todo, foram mais de 50 estabelecimentos visitados e 46 famílias entrevistadas em profundidade, além da participação de mediadores de diferentes organizações. 
 
Segundo Jaqueline, o foco foi compreender como se constitui a heterogeneidade social das formas familiares de trabalho e produção na agricultura nesse contexto e desvendar quais são os principais efeitos sociais relacionados ao processo de classificação e distinção social ao longo da história. 
 
 A extensionista também falou sobre os desafios institucionais advindos dessa pesquisa. “As demandas do campo são muitas e correspondem, em parte, a essa grande heterogeneidade social das formas familiares de trabalho e produção. É preciso criar agendas também diversas e que estejam alinhadas com essa demanda que emerge do campo. Acredito que um novo desafio é pensar como promover processos de comunicação para o desenvolvimento rural levando em conta essa heterogeneidade e as especificidades relacionadas a ela”, reforçou a servidora. 
 
Durante esses quatro anos de pesquisa, a extensionista publicou artigos e participou de congressos nacionais e internacionais, apresentando resultados de estudos relacionados à agricultura familiar, como o Programa Nacional de Crédito Fundiário e o Programa de Atendimento às Famílias em Situação de Extrema Pobreza. Também participou da organização do IV Colóquio Internacional da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural e ainda hoje integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural (GEPAD), que é um grupo interdisciplinar que reúne pesquisadores interessados em analisar os processos de desenvolvimento rural.
 
Trajetória  
 
Jaqueline começou a trabalhar na instituição em 2007, lotada em Barra de São Francisco. Também atuou na Sede como chefe da área de Ater. Atualmente, é chefe do DCM. 
 
Para acessar a tese e outras publicações consulte o acervo da Biblioteca Rui Tendinha
Por Tatiana Caus